Super Técnico




 Escrito por Ricardo Aguiar às 21h37 [] [envie esta mensagem]






Meu desligamento da Seleção Ilhacompridense

Em uma conversa bastante amigável com o diretor municipal de esportes de Ilha Comprida, decidimos no último dia 19, o meu desligamento da função de treinador da seleção Ilhacompridense de futebol.

Após 3 anos de trabalho, esse é um processo natural. Acredito que no momento necessito de mais tempo para me dedicar a questões administrativas envolvendo o esporte em geral.

Acredito que chegamos num estágio dentro do futebol ilhacompridense, onde o projeto que temos em mente precisa de muito mais esforços fora das quatro linhas, do que no trabalho de treinamento propriamente dito. O município precisa intensificar o trabalho de base, mas para isso precisa conquistar uma estrutura melhor, que ofereça mais condições tanto para os atletas, quanto para os profissionais.

Particularmente, o nosso trabalho é voltado para a oportunização do futebol como ferramenta sócio esportiva, uma mescla de atividade educacional e alto rendimento, o que para o atual momento torna-se difícil de ser executado. Chegamos onde podíamos chegar e para ir além disso, precisamos impulsionar as ações administrativas, o chamado “trabalho de bastidores”.

Ao longo desses anos conseguimos colocar o futebol de Ilha Comprida em um nível de competitividade forte, abrindo espaço para o surgimento de talentos e despertando o interesse de profissionais do esporte. O projeto “FUTEBOL ESCOLA” tornou-se realidade, mas ainda encontramos além de resistência, grandes dificuldades de avançar pela falta de estrutura e espaços para atingir objetivos mais ambiciosos.

Vou sentir falta da rotina diária de treinamentos, mas pretendo em breve voltar a esse trabalho de campo, quem sabe levando a outras cidades do Vale do Ribeira a nossa experiência nessa função.

Em Ilha Comprida o projeto ‘Segundo Tempo’ vai continuar oferecendo o futebol como atividade recreativa, enquanto na Divisão de Esportes estaremos trabalhando com toda a equipe, para conquistar recursos que possam melhorar a infraestrutura esportiva da cidade.

Ao professor Bira, novo treinador da seleção Ilhacompridense, desejo toda a sorte sob as bênçãos de Deus.

Aos garotos que vão continuar representando o município em competições o meu muito obrigado pela dedicação e que Deus possa abençoa-los de muito sucesso não só nos campos, mas na vida pessoal de cada um.

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 Escrito por Ricardo Aguiar às 16h25 [] [envie esta mensagem]






A diferença está além do campo de jogo

 

O treinador moderno não é aquele que tão somente entende o futebol dentro das quatro linhas do campo, mas sim aquele que consegue transcender o espaço de jogo e agregar valores ao seu trabalho e à instituição que defende.

Essa é uma das principais características que diferencia o profissional Vanderlei Luxemburgo (foto:Blogodorium.net) da grande maioria dos treinadores.

Além de entender muito de futebol, Luxemburgo consegue ser um atrativo a mais para jogadores e investidores.

Mas o que permite um profissional chegar a esse estágio?

Anos de trabalho sim, mas acima de tudo competência indiscutível nas áreas técnicas, táticas e gerencial do futebol, como esporte e como negócio (business), poder natural de liderança e o desejo constante de querer sempre mais dentro da profissão. É isso o que diferencia o profissional que deseja dar a sua contribuição ao futebol de um modo muito mais amplo no contexto geral.

Seja na várzea, no trabalho de base, em escolinha ou clube de pequeno porte, o nosso futebol carece de profissionais com esse perfil, que sejam capazes de escrever uma história por onde passam, que possam deixar uma herança representativa do seu trabalho, enfim que consigam agregar valores reais e importantes para o esporte, o atleta e a instituição.

Apesar dessa realidade, boa parte da imprensa, torcedores e “velhos” cartolas, vira e mexe questionam essa atuação mais ampla desse profissional que ousa ir além da “ciência do futebol” – que diga-se de passagem não é exata.

Por isso antes de se questionar o valor pago a um profissional, é preciso observar a sua relação custo-benefício. O bom profissional tem que ser o primeiro a se valorizar para que o seu trabalho também seja valorizado.

 



 Escrito por Ricardo Aguiar às 00h02 [] [envie esta mensagem]






O trabalho além dos clubes

Quando me formei treinador saí com o sonho de começar logo em um grande clube.

Iniciei na prática, comandando uma escola municipal de futebol em Ilha Comprida, seleção local, clube amador e aos poucos fui desenvolvendo um projeto chamado “Clube-Escola de futebol”, onde o diferencial está na definição de um conteúdo pedagógico apropriado e uma metodologia de trabalho específico para cada faixa etária. O princípio é o social através do trabalho de desenvolvimento dos fundamentos básicos do futebol. A partir da identificação de possíveis talentos, o jovem é direcionado para um trabalho mais específico (aspectos físicos, técnicos e táticos), onde o futebol pode se transformar em OPORTUNIDADE profissional. Assim surgiram as primeiras parcerias com clubes profissionais, que fazem visitas periódicas ao projeto ou recebem nossos jovens para um período de avaliação. Em dois anos, encaminhamos garotos para o Sub-15 do Santo André, para Portugal e este ano para a Portuguesa Santista. O projeto só não cresceu ainda mais, porque não temos ainda como alojar os garotos que nos procuram de todo o país e até de alguns países da América do sul.

Nesse meio tempo tive algumas propostas para trabalhar na base de alguns clubes profissionais, mas dois aspectos fundamentais me mantém aqui; a questão financeira e a falta de um projeto sério a médio e longo prazo.

Durante esse período pude perceber que estou me realizando profissionalmente por viver do futebol e por conseguir estar abrindo portas para alguns garotos que certamente seriam perdidos com o tempo. Nosso trabalho tem despertado o interesse de outras cidades e este ano começamos ministrar workshop e cursos para outros profissionais, afim de difundir a proposta de que outras escolas de futebol tenham um conteúdo pedagógico e metodologia de ensino específicos para jovens atletas entre 7 e 18 anos de idade. Além do trabalho de campo, é importante preparar esses jovens para que eles tenham a visão de que se não se tornarem jogadores profissionais, através do estudo, poderão vir a trabalhar em várias outras áreas do esporte, seja como treinador, preparador físico, dirigente, repórter, etc.

Temos tentado nessas oportunidades, mostrar aos colegas de trabalho que estão iniciando, que é possível trabalhar com o futebol, com a mesma satisfação e alegria, fora dos clubes profissionais e com a vantagem de não ter a pressão por resultados imediatos.

Porém para isso, o profissional precisa estar sempre atualizado. Eu mesmo mantenho uma rotina diária de estudos e troca de informações com colegas de Portugal e Espanha, com quem aprendi que o conhecimento deve ser compartilhado. Um outro treinador não deve ser visto como um concorrente, mas sim como um colega de trabalho. Podemos compartilhar com igualdade tudo o que aprendemos, pois o que fará a diferença será a forma como cada profissional aplica o que aprendeu.

 



 Escrito por Ricardo Aguiar às 13h15 [] [envie esta mensagem]






Futebol de resultados!?

Estamos assistindo mais uma vez a incessante “dança de comandos” do nosso futebol tupiniquim. Demite aqui, contra ali e vamos tocando o barco...

Enquanto na Europa, a maioria dos profissionais se mantém por um longo tempo em suas funções, nossos clubes continuam com a política de resultados; ganhou continua, perdeu ta fora.

Ainda somos obrigados a ouvir o blá blá blá de “projeto do clube”. Que projeto?

Temos uma série de fatores que alimentam essa política clubística tupiniquim e principalmente nos grandes clubes, a pressão que vem das arquibancadas, sempre alimentada pela mídia. Não acredito que um dia isso possa mudar e ao mesmo tempo lamento que essa política seja seguida a risca também nos clubes de pequeno porte, que cultivam ainda o imediatismo.

A cerca de dois anos, recusei uma proposta para dirigir um pequeno clube do nordeste por causa dessa “loucura” de resultados imediatos; com a questão financeira acertada, ao ouvir os objetivos do clube, não hesitei em recusar a proposta. De cara a meta seria brigar pelo título estadual da 1ª divisão, pela Copa do Brasil e pela série C do Brasileirão. Em nenhum momento se pensou com racionalidade, em buscar o que estaria ao alcance real do clube. Títulos todos queremos, mas pelo porte do clube, a minha idéia era trabalhar com a revelação de alguns atletas (afinal isso é importante para fazer dinheiro para o clube) e inicialmente projetar estar entre os 4 primeiros do estadual e passar de fase na serie C e na Copa do Brasil (metas possíveis de serem alcançadas no primeiro ano). O projeto seria para 3 anos, mas pelo que percebi na época eles tinham pressa.

Com a recusa apenas acompanhei o clube amargar as últimas colocações no estadual e eliminações imediatas nos outros torneios, além de não conseguir revelar nenhum jogador sequer a nível estadual.

Acredito que a maior contribuição que um treinador possa dar a um clube, é a herança efetiva além das quatro linhas, que ficará para a instituição após a sua passagem e que normalmente será sentida com o passar dos anos.

Essa deveria ser a nossa motivação e o objetivo do clube na hora de contratar um profissional para dirigir a sua equipe, seja na base ou no profissional.

Se os grandes clubes tem sede por resultados, os pequenos deveriam ter sede de crescimento ordenado e real.

 

 



 Escrito por Ricardo Aguiar às 13h13 [] [envie esta mensagem]




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